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      1973 - Rio

         Bilhete de Helmut Berger num guardanapo de papel!



Escrito por staredy* às 04h51
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Minha noite com Helmut Berger...

Eu atuava no Number One todas as noites de quarta a domingo. Mas numa terça feira, apareceu por lá a Noelza Braga, a Gigi Caravaggio mais a Ionita Guinle com um grupo de amigos, trazendo pra me ver o Helmut Berger! Ficaram desolados por não haver função, ficaram um pouco e se foram. Eu só vim saber dessa visita no dia seguinte, quando recebi o recado explicando tudo num cartão de visitas que até hoje tenho guardado... Fiquei com uma pena, havia perdido a oportunidade de conhecer de perto um dos meus ídolos, um astro que trabalhara com Dirk Bogarde em 'Deuses Malditos', sob a direção de Luchino Visconti! Como esquecer aquela cena em que seu personagem fazia completamente drogado a imitação de uma cantora de cabaré, vestido num espartilho, para escândalo da família... Ai que pena!

Mas, para surpresa minha, duas noites depois me apareceu entre a platéia da boate o Helmut com um amigo!

Foi um show lindo e entregado como sempre, e ao final, recebi no camarim um recado do artista, escrito num guardanapo de papel! O Mauro Furtado, proprietário da casa, sentia-se felicíssimo que o grande astro havia aplaudido meu show e prometido voltar...

E voltou! Na noite seguinte, e com o mesmo acompanhante! Após o show, mandou convidar-me a sua mesa... Bebíamos whisky e ele falava um inglês enrolado e eu não entendia praticamente nada, mas as entrelinhas eu ‘entendi’ tudo...

Terminei indo para o Copacabana Pálace com ele... E mais não conto... E precisa?



Escrito por staredy* às 04h48
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 1974 - Quem lembra?

 Marcos Nanini, eu, e Tuca, a maravilhosa e gorda cantora-compositora paulista...



Escrito por staredy* às 19h23
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Mick Jagger, Janis Joplin, Ravi Shankar, Michael Jackson... todos eles a menos de um metro de mim... 4

Ainda em 74, em Sampa, vivendo na casa de Gilson, uma manhã, eu que andava enturmado com o pessoal da imprensa, recebi um telefonema da redação da Folha de São Paulo, convidando-me para acompanhar um jornalista que ia entrevistar o Jackson Five! O grupo americano que era uma versão negra dos brancos ‘The Osmonds’, iría se apresentar em São Paulo no Ibirapuera! E claro que aceitei, e fui!

Os ‘blacks’ estavam vindo de um show no Rio de Janeiro, onde uma noite estiveram na boate 706 onde cantava o meu amigo Emilio Santiago... Na tal entrevista coletiva havia uns dez jornalistas, a maioria completamente ignorante de quem eram os Jackson Five, na naquele instante suas únicas musicas conhecidas eram ‘Go to be there’ e ‘Ben’, e as perguntas que eram feitas saíam as mais bobas possíveis, deviam ser 'estagiarios', aqueles que as redações mandam pra entrevistas sem valor...  Na nossa frente estavam os cinco negrinhos, entre eles o Michael com 15 anos, e mais o pai, empresário que fiscalizava tudo com um excessivo zelo por seu patrimônio!

Eu sugeri ao meu amigo perguntar se era verdade que estavam preparando a irmã menor para substituir o Michael, que estava em fase de crescimento e mudança de voz, já não alcançava os agudos dos falsetes... Coisa que foi negada veementemente pelo pai... Não durou nem uma hora a entrevista boba e chocha: não havia perguntas...

Um dos produtores do show era o Koski, que eu conhecera por intermédio do Guilherme Araújo, que mais tarde juntos produziriam o Rocky Horror Show.

No Rio eu não sei como foi, mas em Sampa o show do Jackson Five foi um fracasso! Na tarde do espetáculo não chegaram a vender 300 ingressos, saí com o pessoal da produção, e juntos de dentro de um carro, atirávamos ingressos pelas ruas de São Paulo: completamente grátis, para que tivesse um publico razoável. Mesmo assim, não tiveram nem ‘meia casa’ de lotação! Mesmo assim, o grupo incrivelmente profissional fez um show mecânico que durou exatamente 45 minutos: cantaram e dançaram com a técnica de sempre... E tudo regido e controlado pelo pai, de dentro dos bastidores, onde eu me encontrava também...

O Jackson Five acabou e tentou levantar cabeça nos anos 90 com um disco insípido produzido pelo irmão famoso e independente, o Michael Jackson, de quem sou fã incondicional, o maior astro pop de todos os tempos, pois sei muito bem separar o artista da pessoa, e que de historias recentes não preciso recordar-lhes...

Foi assim que eu conheci o Jackson Five e tive o Michael Jackson a menos de um metro de mim...

.....................................

De repente, descubro que nessas historias existe um denominador comum, o meu amigo Gilson Rodrigues e Luis Fernando! Este há muito saiu do Brasil morou em Barcelona e agora vive em Paris. O Gilson é um dos artistas plásticos de maior sucesso em Salvador, onde alem de pintar está sempre criando coisas para artes cênicas, e vive de frente pro mar num apartamento lindo na Boca do Rio, e onde tenho o prazer de passar horas super agradáveis quando vou a Bahia...



Escrito por staredy* às 20h03
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    .. anos 90...

      ..Caetano, Gilson Rodriues e eu, sempre BONS amigos, num laçamento literario, em Salvador.



Escrito por staredy* às 19h43
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Mick Jagger, Janis Joplin, Ravi Shankar, Michael Jackson... todos eles a menos de um metro de mim... 3

Em 1974 eu estava fazendo temporada em Sampa na Boate UP’S e mais shows peãs cidades vizinhas. Cansado de viver só no hotel que me tinham reservado, passei a morar no apartamento de Gilson Rodrigues, na Brigadeiro Luis Antonio... Sampa era uma loucura de noitadas... Comíamos em restaurantes chineses, ou no Baby-Bife no Arouche, o cafezinho da esquina da Ipiranga com a São João, os boys da praça, os shows na Homo-Sapiens, freqüentávamos o Medieval, e ali conheci o Clodovil, de quem cheguei a visitar muitas vezes o seu atelier de costura... Ah, a Paulicéia desvairada...

Gilsito tinha naquele apartamento o seu atelier de desenho e pintura, e já gozava de certo conhecimento e prestigio. Uma tarde chegou radiante: tinha sido convidado a fazer a ambientação cênica do show de Ravi Shankar! Um reboliço, este era o mais importante musico indiano do momento, famoso por participar do movimento hippie, havia participado do Festival de Woodstock, do Bangladesh... Foi ele que ajudou a popularizar a musica indiana... Era o guru dos Beatles, principalmente do George Harrison... E eu não podia perder esta!  E na semana seguinte acompanhei Gilson ao Teatro Municipal de São Paulo, para preparar a decoração. E no terceiro dia, ali no palco, sob a tenda projetada por Gilson, em cima do praticável, sobre um tapete, estava na sua pose característica de pernas cruzadas, ensaiando, o Ravi Shankar!  Durante meia tarde, gozei do prazer de ver e ouvir a cítara impar de um gênio, tocando praticamente pra mim...

Ainda hoje, a música de Ravi Shankar continua bastante viva para mim. Algumas vezes nos meus momentos tranqüilidade, fecho os olhos e busco a paz ouvindo a musica exótica que vem daquela cítara divina, dentro da meditação, e assim afugento durante instantes todo o horror que a atualidade me rodeia... Hoje sei que a arte de Shankar será perpetuada: o som da Índia por sua filha Anoushka Shankar, a influencia ocidental pela outra filha cantora respeitada de jazz, Norah Jones... Mas, eu presenciei Ravi Shankar a menos de um metro de mim...



Escrito por staredy* às 19h40
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 Com o meu amigo Serguey...

Escrito por staredy* às 05h08
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Mick Jagger, Janis Joplin, Ravi Shankar, Michael Jackson... todos eles a menos de um metro de mim... 2

Em 1970 eu estava na CBS e num dia de fevereiro, descendo a escada que dava no hall, deparo com o Coutinho (o 'relações publicas' e um grande amante de jazz.) entrando com uma mulher feia, meio gordinha, vestida de 'hipponga': lenço na cabeça, óculos Ray-ban, uma bolsa bandoleira a tira cola e sandálias. O Coutinho gentilmente me apresentou: era Janis Joplin! Não liguei muito por que nem me lembrava quem era essa cantora americana. No dia seguinte é que me liguei no fato. Eu tinha o disco dela com o Big Brothers, cantando Sumertime! Era demais!... Passei a duvidar. Dois dias depois encontro o Coutinho no corredor do estúdio, e ele me conta que a Janis foi à joalheria H. Stern comprou um anel de brilhantes e até chegar ao hotel, perdeu o anel!

Dias depois fui passar o carnaval em Salvador e ali fui informado que o Coutinho a levou ao Baile do Teatro Municipal, que era o baile de Carnaval mais chique do Rio, basta dizer que só se entrava fantasiado ou a rigor... E na porta teve problemas por que não queriam deixá-la entrar, porque pensavam que era um travesti! Claro, imaginem: feiosa e com aquele monte de cabelo no sovaco...

Logo depois do carnaval, novamente no atelier de Gilson Rodrigues, fomos convidados pelo Luis Fernando, que estava com mais amigos, a descer ao mulherio para buscar quem? A Janis Joplin! Claro que descemos descrentes e curiosos...

Estava lá sentada, conversando com as putas e bebendo cachaça! As 'meninas' encantadas com a americana louca, que gargalhava, puxava ‘fuminho’ e soltava palavrões, na maior intimidade... Ela tinha ido parar na Bahia, viajando de motocicleta com o namorado Mick, um fotógrafo carioca, e estava chateadíssima por que chovia muito, e ela estava louca para transar de noite na praia, e a chuva impedia. Não sei o que aconteceu, que o tal Mick voltou ao Rio e ela ficou sozinha em Salvador... Como foi parar nesse puteiro eu também não sei, mas ela estava bêbada e satisfeitíssima.

Foi quando apareceu o divulgador da CBS, que avisado (por quem?) foi ali para levá-la ao Hotel da Bahia. Sumiu a jaqueta Jeans dela e foi um fuzuê... Finalmente a jaqueta apareceu, e seguimos todos em passeata acompanhando-a com aquela garrafa de ‘Jacaré’ na mão, até a portaria do Hotel... Outro escândalo: o cara da recepção não queria aceitá-la por que estava suja, e com uma figura de hippie não muito agradável, e Janis aos gritos: “I’m Janis Joplin, I have money!” e jogou pacotes de dólares no balcão... Foi pior, o cara achou que ela era louca e não aceitou mesmo... Vingativa, ela não satisfeita, jogou a garrafa de cachaça no espelho e quebrou-o! E assim ela foi se hospedar em outro hotel... Que aventura...

Daí, eu voltei ao Rio e não mais vi Janis. Mas soube que ela voltou ao Rio fazendo 'stop-car' com caminhoneiros... Verdade?

Anos depois surgiu outra historia dela numa aventura que conta o Serguey... Pode ser que tivesse seus momentos calmos, mas vivia intensamente, e era uma maravilhosa cantora, desbocada e louca de pedra... Ah, isso era... Quase no final deste ano, em outubro, foi encontrada morta por over-dose... Mas, eu tive Janis Joplin a menos de um metro de mim!



Escrito por staredy* às 05h04
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.. recordar é viver...

Escrito por staredy* às 20h03
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Mick Jagger, Janis Joplin, Ravi Shankar, Michael Jackson... todos eles a menos de um metro de mim.. 1

Um dos lugares que eu mais gostava em Salvador, era a rua do Sodré, com seus casarões.  Lá no seu começo, no Cabeça, estava a boate Anjo Azul, um lugar apertado, onde se reuniam os gays mais snobs, intelectuais y artistas, pra tomar ‘xixi de anjo’, uma bebida boba servida em piniquinhos de barro... Descendo a rua, estava o colégio Ipiranga no prédio onde morreu o poeta Castro Alves, e um pouco mais abaixo estava o convento de Santa Tereza, abandonado, e hoje é o Museu de Arte Sacra da Bahia, que logo depois da sua inauguração em 1959, causou um zumzum nos meios intelectuais e entendidos por que ali estranhamente os funcionários eram todos mulatos! Não havia nem brancos, nem pretos... Apenas, e só, mulatos!  Que, segundo comentavam as más línguas, eram ‘escolhidos a dedo’ pelo próprio Dom Clemente, monge beneditino e administrador do museu, e que também às vezes ‘fiscalizava os banhos’ dos funcionários... Boas razões havia de ter...

Mais em baixo, aquela rua desembocava numa zona de mulheres da vida... Nessa rua, tive dois encontros memoraveis.

Com a inauguração do museu, vários artistas plásticos montaram nessa rua e adjacências os seus ateliês, entre eles ali estava Gilson Rodrigues e Luis Fernando... Sempre recebendo amigos, e que tardes...

No principio de 1968, eu que nesse tempo vivia envolvido com musica, pintura e teatro, uma tarde passei pra visitar o Gilson e ele me diz: “vamos descer criatura, que Luis Fernando tem uma surpresa...” Era verdade! Ao chegarmos no atelier de Fernando, lá estava como se nada, ele: Mick Jagger em pessoa, sentado numa poltrona folheando uma revista de arte, com as pernas enrodilhadas de um jeito que até hoje, juro que eu só vi Caetano fazer igual! Também estava lá a Mariane Phaitifull e a filha pequena meio chorona, e mais umas três ou quatro pessoas. Eu não falo inglês... O que mais me chamava atenção no cantor dos Rolling Stones era a sua boca: enorme, carnuda, com uns beiços onde ele ficava dedilhando e fazendo um som engraçado... Ouvi a conversa deles, sobre coisas bobas, da beleza do Reveillon no Rio, queriam ir a um candomblé, comer comida baiana... queimou-se o baseado de praxe, e a tarde passou ligeira... Não, ninguém tirou fotos desses momentos únicos... Hoje me contam que o Keith Richards também estava em Salvador, esse eu não vi... Também me informaram que os tambores do candomblé impressionaram tanto ao Mick, que lhe provocou compor o ‘Sympaty for the Devil’... Seria verdade?  Não sei,  mas com certeza, eu estive com Mike Jagger a menos de um metro de mim...



Escrito por staredy* às 19h50
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 Em Madrid, 45 anos de amizade... Uma vida!



Escrito por staredy* às 17h00
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Sim,sou parceiro de Gilberto Gil!

Em abril e maio de 1965, Gilberto Gil estava fazendo no Teatro Vila Velha, sob a direção de Caetano Veloso, o seu primeiro show sozinho: ‘Inventario’... Nesse show, ele cantava também algumas musicas que fizera com outros parceiros: Yemanjá com Othon Bastos, Roda e Louvação feitas com João Augusto. Fui assisti-lo quase todas as noites. Na ultima semana de apresentações, quase no final do show, cantou lendo um papel no chão, uma composição da qual só tinha escrito o refrão, e que deveria se chamar ‘Procissão’... Fui pra casa com aquela musica na cabeça. Era a minha oportunidade de fazer algo para me facilitar a entrada nos shows do Vila Velha... E tanto revirei, que acabei escrevendo duas estrofes mais para a tal musica...

No sábado seguinte, dia 29 de maio, aconteceu o casamento de Gil com Belina. A festa de bodas foi á noite no Clube dos Oficiais ali no Dendezeiros. A presença de muitos artistas se fazia notar, Gil sempre foi muito querido...

Antes de ir-me da festa, chamei Gil e lhe mostrei o meu escrito... Ele cantarolou, viu que a tal letra encaixava justo na melodia, e guardando-a me disse: ‘assim que puder vou gravar, e se prepare vamos ganhar um dinheiro com essa musica!’ E assim fui pra casa cantarolando e a cabeça cheia de sonhos... Imagine, meu nome num disco!

Na semana seguinte, Gilberto Gil partiu pra São Paulo, onde iría trabalhar.

Aconteceu meses depois, o show ‘Arena canta Bahia’, com todo aquele pessoal do Vila Velha (menos Fernando Lona, que ficou muitíssimo sentido e se sentindo traído... foi trocado por Tom Zé), e esses artistas, cada um gravou um disco compacto, na RCA Victor... Praticamente, seus primeiros discos! No disco de Gil, estava lá: Roda – Gilberto Gil e João Augusto - e Procissão – Gilberto Gil! Meu nome foi completamente esquecido...

Alguns jornalistas de Salvador que sabiam da parceria, notificaram o lapso nas suas colunas... Em seguida, a musica entrou como tema do curta-metragem ‘Roda e outras canções, e no fotograma de relação de musicas, já constava meu nome! Em 1966, o Gil fez um show ‘Pois é’, com Vinicius de Morais e Maria Bethânia, no Teatro Opinião, no Rio, que fui assistir, e no programa que me autografaram, também aparece ‘Procissão’ – de Gilberto Gil e Edy!

Depois vieram outras gravações da musica, mas meu nome nunca apareceu... E isso mexia muito com minha cabeça...

Em 1967, Gilberto Gil foi a Recife com o show ‘Viramundo’. Eu estava tão puto da vida que nem fui ver, mas também estava fazendo “Memórias de 2 Cantadores" no Teatro do TPN, onde cantava Procissão e denunciava minha parceria... Uma noite apareceu por lá o Roberto Santana, empresário do Gil, se sentindo muito ofendido por que eu dizia ter parte na musica! Eu, hein? E justificou: ‘não sabíamos onde você andava, e não ia perder dinheiro por causa dessa bobagem!’ (SIC) Tudo bem...

O importante de tudo isso, que apesar da falta do meu nome nas gravações de ‘Procissão’, Gilberto Gil nunca negou esse fato e eu nunca ligava muito a direitos a receber, ou gerar uma possível discussão. Durante todos esses anos, sempre nos encontramos com a mesma alegria, a mesma festa, e tocávamos no assunto e ele me dizia: ‘aparece pra gente acertar isso, você tem coisa pra receber...’

Finalmente, praticamente agora, 40 anos depois, tudo já está resolvido. Já tenho um contrato com a editora, meu nome constará das gravações de agora por diante, e já posso dizer que sou de verdade parceiro de uma musica com Gilberto Gil...

Porem no site oficial de Gil, o meu nome ainda é invisível!



Escrito por staredy* às 16h58
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..essas são as minhas menininhas, todas elas bonitinhas, que um dia descobri..

   o Quarteto em Cy! (Vinicius de Morais)

  ..com o Quarteto em Cy, y sua nova geração..   -1989 Teatro Rival - Rio



Escrito por staredy* às 16h23
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"...Enquanto nós cantarmos

haverá Brasil...

Brasil!"

Logo depois da montagem de Monetinho, estava afim de outros planos, e assim, dei o fora dessa fase maravilhosa da minha vida.

Onde andará aquela gente? Dos irmãos Arnon e Ângelo Roberto, o Ângelo que era um ótimo desenhista, o encontrei ha alguns anos numa festa do Bomfim, onde apareceu tambem a Zuleide Contreiras, sempre com seu ar nervosinho, a nossa poetiza 'Lagartixa Bate-a-Cabeça', estava vivendo em Brasília; Civa e Cibele se juntaram as outras irmãs menores Cinara e Cilene, todas afinadissimas, e formaram o famoso Quarteto em Cy, alcançando o sucesso ao serem descobertas por Vinicius de Morais, sou fã assiduo dos seus shows; Paulo Gil chegou a ser assistente de Glauber, fez um curta-metragem premiado sobre o cangaço, terminou na TV Globo, morreu há poucos anos; o Jurandir Ferreira que me obrigava a dar passos largos pra ser mais macho, e tinha paixão por Marilyn Monroe e Marta Rocha, e que mudava o tom de voz quando tinha alguém desconhecido por perto, onde estará?  o Mesquitinha, que usava óculos como eu, bonitinho e baixinho, com uma voz linda, meu primeiro amante, quantas vezes fugíamos do ensaio e íamos nos ‘divertir’ no escuro da arquibancada do campo de vôlei... Onde andará?

Hoje a ‘Hora da Criança’ é uma coisa esquecida ou desconhecida para os baianos. No terreno conseguido com muita luta para ser construído o ‘nosso teatro’, está lá o tal teatro, que funciona como uma espécie de escola, que, me informam, ensina gratuitamente a cerca de 100 crianças, alfabetização, teatro, coreografia, cenografia, etc... Ver para crer: fiz uma visita e que decepção: da “Hora da Criança” os que ali dirigem não sabem NADA! Não tem vivencia do que representou Adroaldo, nem de sua obra... Algumas coisas guardadas ou expostas... Do acervo de suas pesquisas musicais ou de seu teatro infantil, esquecido e não utilizado... As crianças que lá estudam são ignorantes do porque do nome da sua escola... Em nome do que representou aquele homem obstinado, lhe puseram título em algumas escolas de Salvador. E daquele programa, que desde 1943 ate meados dos anos 60 era uma referencia a infância baiana, algumas linhas em alguma pesquisa... Merecia melhor sorte e proteção... E assim mais uma memória vai pro beleléu...



Escrito por staredy* às 16h32
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...na terra em flor...

"...que na terra, terra em flor

haverá amor,

e no céu, céu de anil,

haverá explendor..."

A sede e os ensaios da Hora da Criança passaram para um enorme salão, que ficava em baixo do palco do Teatro do Instituto Normal, no Barbalho. Enquanto o professor Adroaldo lutava por conseguir um terreno para construir um teatro-sede. Depois foi montado ‘Enquanto nós cantarmos’ e ‘Monetinho’, no mesmo Teatro. Na primeira eu era o ‘Menino vadio na floresta’, e em ‘Monetinho’ fui o ‘Conselheiro Bonifácio’ que lutava contra o Conselheiro Malefício. O elenco era sempre de quase 200 pessoas... Ainda usávamos calças curtas...

Ali apareceu uma outra figura pra abrir minha cabeça: Paulo Gil Soares, poeta, existencialista, que era amigo de Glauber Rocha, e assim logo conheci o Glauber.

Também freqüentávamos o atelier do pintor Raimundo Oliveira, que ficava no segundo andar de um edifício ali no Corredor da Vitória, nas Mercês... No fundo do corredor, aquela porta pintada com uma enorme Nossa Senhora, em amarelo e dourado, com traços negros... O Raimundo tinha uma cabeça grande e falava pausado, nesse tempo fazia desenhos, e com ele aprendi a ‘técnica de lavagem’.

Foi após um ensaio, que conheci a atriz Jurema Pena, e ficamos daí em diante, muito amigos por toda nossas vidas. Ela viria ser mais tarde um dos expoentes do teatro baiano e pessoa importante na minha carreira artística...

Aos domingos, após o programa, íamos ao Cine Liceu ver as sessões do Cine Clube da Bahia (cinema de arte, todo o novelle vague francês, o neo-realismo italiano...), ou assistir a missa das 11 horas na igreja de São Francisco.

Para ir aos ensaios, quase que diários, as vezes eu subia a interminavel ladeira da Agua-Brusca, que hoje eu a olho e puta-que-pariu, nem acredito que fazia esse milagre... E quando terminavam, sempre às 20 horas, e nosso passatempo era vir andando de lá do Barbalho até o centro da cidade, fazendo as mais incriveis peripecias: desligavamos a navalha de luz das casas com aniversarios, 'pongavamos e despongavamos' nos bondes, e uma vez metemos um jegue num elevador de um edificio e o mandamos pro 5o andar... Não havia televisão ainda, mas muito papo, muito riso, muita informação, depois cada um pra sua casa...



Escrito por staredy* às 16h08
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